Mulheres fazem ato contra feminicídio em Ouro Preto
Iniciativa da Mobilização Nacional Mulheres Vivas aconteceu em pelo menos 20 estados e no Distrito Federal
Início do ato, na Praça Tiradentes, coincidiu com desfile de fanfarras – Foto; Marina Ferreira/agência Primaz
A Mobilização Nacional Mulheres Vivas aconteceu em praticamente todo o país nesse domingo (07). Em Ouro Preto, a Praça Tiradentes concentrou uma quantidade significativa de mulheres, homens e crianças para protestar contra o feminicídio e outras formas de violência contra a mulher, como assédio, abuso físico e psicológico e discursos misóginos. Em Ouro Preto, o ato foi organizado por Priscila Gambi, estudante de Geografia da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) e aconteceu durante a tarde. Patrícia Ramos, militante do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) e ex-candidata a vice-prefeita de Mariana, em 2024, estava presente para apoiar a mobilização.
Manifestação
O ato contou com momentos de música e roda, gritos de guerra, falas de algumas mulheres presentes e, ao final, uma pequena oficina de dança com Gabi Augusta, dançarina ouropretana e coordenadora da escola de dança “Ritmo de Rua”.
A organizadora do ato, Priscila Gambi, afirmou à Agência Primazque a maior motivação da mobilização, para além do ser a nível nacional, é o cotidiano violento. “Todos os dias acontecem coisas com nós, mulheres, que acabam gerando sentimento de revolta e indignação, a ponto de ficarmos paralisadas”, declarou.
Em outro momento de fala, ela convidou os homens presentes para que se juntem à luta contra a violência. “A gente precisa de todo mundo nessa luta. Chega de sentir medo, temos que sentir raiva, revolta. Eles [os homens] precisam de nós. Esse ato é um movimento pra começar a mudar essa realidade”.

Patrícia Ramos conversou com aAgência Primaze reforçou que o ato é importante para exigir mais políticas públicas que defendam as mulheres. Ela também apontou para situações regionais, em especial, em Mariana. “Há poucos anos atrás, a gente não ouvia histórias de mulheres em cárcere privado, que sofreram abuso sexual, tentativa de estupro, de próprio feminicido. Cada semana a gente se depara com essa realidade”, afirmou.
De acordo com um levantamento da Prefeitura de Mariana, de setembro deste ano, a cada cinco casos que chegam à Delegacia da Polícia Civil, três têm relação com violência doméstica. No dia 22 de setembro de 2025, Mariana inaugurou o primeiro Núcleo de Atendimento Especializado à Mulher da Polícia Civil, em Minas Gerais, com o objetivo de ampliar a rede de proteção para mulheres vítimas de violência doméstica. Confira areportagemda Agência Primaz.
Casos de violência e pauta LGBTQIAPN+
Entre as falas das mulheres presentes na mobilização, Bruna Truocchio, repórter da rádio Itatiaia Ouro Preto, citou casos de feminicídio e violência doméstica que tiveram repercussão nacional nos últimos meses e se reconheceu também como uma vítima. “Me emocionei porque todas nós já passamos por algum tipo de situação abusiva. Eu já passei. Isso mexe muito com a gente”, desabafou.
Entre os casos citados por Bruna, o mais recente é o deTainara Sousa Santos, que, no dia 29 de novembro, foi atropelada e arrastada por cerca de um quilômetro pelo ex-namorado, que não aceitou a separação. O homem foi preso por tentativa de feminicídio e Tainara precisou passar por mais de três cirurgias e teve as duas pernas amputadas devido aos ferimentos. “Segundo oObservatório da Mulher, apenas no primeiro semestre de 2025 foram registrados 718 feminicídios no Brasil. Quase quatro mulheres mortas por dia”, completou Bruna.
Durante o ato, também foi reforçada a importância da união entre os movimentos LGBTQIAPN+ e o feminista, para que mulheres trans passem a ser mais acolhidas e ouvidas. De acordo com o relatório daAssociação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), de 2025, foram registradas 122 mortes violentas de forma intencional de pessoas trans no Brasil. Entre elas, 117 eram mulheres trans ou travestis.
As mobilizações vão acontecer até 14 de dezembro em todo o país e, em Ouro Preto, nesse dia, vai acontecer uma roda de conversa sobre vivências LGBT’s e rede de apoio, na sede do Vila Pobre, no bairro Taquaral.
Confira abaixo mais fotos de Marina Ferreira, que realizou, como free lancer, a cobertura da mobilização para a Agência Primaz:







Marina Ferreira
Jornalista, graduada pelo Instituto de Ciências Sociais e Aplicadas (ICSA) da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). Enquanto estudante trabalhou em assessorias de imprensa na área política e estagiou na Agência Primaz de agosto/2023 a abril/2024.














