Primeiro Núcleo de Atendimento à Mulher é aberto em Mariana
Cidade enfrenta, em média, três casos de violência contra a mulher por dia e aposta em espaço humanizado para ampliar a rede de proteção
Prefeito Juliano Duarte e chefe adjunta da Polícia Civil de Minas Gerais, Rita de Cássia Januzzi, no descerramento da placa de inauguração do Núcleo de Atendimento à Mulher - Foto: Eduarda Belchior/Agência Primaz
Atendimento humanizado e prevenção
De acordo com o delegado titular de Mariana, Marcelo Bangoim Fernandes, a criação do Núcleo de Atendimento à Mulher foi motivada pela demanda crescente, mas também pelo reconhecimento da qualidade do atendimento já desenvolvido na cidade. “A vítima só é atendida por profissionais mulheres e a oitiva inicial já serve para todos os procedimentos judiciais, evitando a revitimização. É o pontapé inicial para novas políticas públicas estaduais e municipais”, destacou.
A chefe adjunta da Polícia Civil de Minas Gerais, Rita de Cássia Januzzi, reforçou que a iniciativa integra o programa Polícia Civil Minas Gerais (PCMG) por Elas, criado para reunir e ampliar todas as ações da Polícia Civil voltadas à proteção das mulheres, como capacitação de servidores, criação de núcleos especializados e medidas de enfrentamento de violência de gênero em todo o estado. “Nosso objetivo é garantir que a mulher não precise repetir sua história em várias instâncias. Ela sai daqui já com diretrizes, acompanhamento psicológico e social, para ela e para a família”.
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Rede de proteção e inovação
A inauguração contou com a presença do prefeito Juliano Duarte (PSB), que ressaltou os esforços do município para fortalecer a rede de proteção. Ele lembrou da criação do Conselho Municipal de Combate à Violência Doméstica e do programa Botão do Pânico, um dispositivo entregue a mulheres em situação de risco, que emite alerta imediato à Guarda Municipal em casos de aproximação do agressor ou que se sintam desconfortáveis, permitindo a intervenção em pouco minutos.
Também participaram da cerimônia a diretora estadual de gestão das delegacias de atendimento à mulher, Larissa Maia Campos Falles; o presidente da Câmara Municipal de Mariana, Ediraldo Arlindo de Freitas Ramos; o chefe do 3º Departamento de Polícia Civil em Vespasiano, Delegado-Geral Helton Cota Lopes; o delegado regional de Ouro Preto, Ricardo Reis Neto; o secretário municipal de Segurança Pública, Ramon Magalhães; além de vereadores e representantes da Polícia Militar e da Patrulha de Prevenção à Violência Doméstica.
O Núcleo de Atendimento à Mulher soma-se à atuação da Guarda Municipal, Polícia Militar, Ministério Público e os serviços sociais e de saúde, compondo uma rede de apoio que, segundo as autoridades locais, tem funcionado de forma integrada.
Mudança cultural como desafio

Apesar do avanço institucional, permanece o desafio de transformar a inauguração em mudança cultural. A escrivã ad hoc Juliana Vilela, que atua no cartório de violência doméstica, ressaltou o impacto simbólico da criação do Núcleo de Atendimento à Mulher: “Quando a cidade mostra que se preocupa em combater a violência, até o agressor se contém. O espaço não é só físico, é também um recado de que não vamos tolerar violência contra a mulher”, afirmou.
A ausência de participação direta de vítimas ou movimentos de mulheres no planejamento do Núcleo, confirmada pela chefia de Polícia Civil, também levanta questionamentos sobre a representatividade na formulação do serviço. Ainda assim, a aposta das instituições é de que o novo espaço reforce a confiança das mulheres nas estruturas públicas e ajude a romper o ciclo de silêncio.

Núcleo de Atendimento à Mulher é o primeiro passo para enfrentar o problema
Entre os discursos e agradecimentos, a palavra mais repetida foi “esperança”. Esperança de que as estatísticas alarmantes diminuam, de que o acolhimento seja real e de que Mariana sirva de exemplo. A expectativa é de que a inauguração fortaleça não apenas a resposta imediata às denúncias, mas também políticas de prevenção e conscientização, como ressaltado pelo delegado Marcelo Fernandes em sua fala de abertura: “Não é a violência que cria cultura, mas é a cultura que define a violência”.
Canais de denúncia
Casos de violência contra a mulher podem ser denunciados pelos seguintes órgãos:
- 190, em situações de emergência;
- 181, de forma anônima;
- Portal Fala.BR, de forma anônima;
- 180, para a Central de Atendimento à Mulher;
- 153, para acionar a GCM;
- 3558-5356, whatsapp GCM;
- (31) 9 8866-7678, whatsapp da Ouvidoria Feminina da UFOP

Eduarda Belchior
É graduanda de Jornalismo na UFOP, com interesse em jornalismo cultural, político e de gênero. Atuou como estagiária da Agência Primaz entre outubro e dezembro de 2025.











