Tribunal de Londres mantém 380 mil no processo contra BHP

Fase de indenizações foi reprogramada para abril de 2027 e atingidos de Mariana terão decisão final só em 2028

Atualizado em 05/02/2026 às 12:02, por Lui Pereira.

A foto, tirada de costas em um ângulo médio, mostra um grupo de pessoas carregando coletivamente um grande tronco de madeira sobre os ombros. O tronco está parcialmente coberto por um tecido vermelho vibrante que cai pelas laterais. No centro da imagem, um homem veste uma camiseta branca com uma frase de protesto escrita em letras maiúsculas de cor marrom:

Os atingidos que fizeram acordo de quitação com as mineradoras não continuam no processo - Foto: Eduarda Belchior/Arquivo Agência Primaz

Em audiência técnica realizada nesta semana na capital inglesa, a justiça britânica definiu o novo grupo de autores que seguirá na busca por reparação contra a mineradora BHP. De acordo com o novo balanço, cerca de 240 mil pessoas deixaram o processo na Inglaterra após terem firmado acordos de indenização com quitação plena no Brasil.

O Tribunal estabeleceu o novo cronograma para a próxima fase da ação pelo rompimento da barragem de Fundão. A chamada Audiência de Gerenciamento de Caso (CMC) serviu para alinhar aspectos técnicos da Fase 2, que focará na quantificação das indenizações e dos danos aplicáveis.

 

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Novo cronograma: Decisão final em 2028

O Tribunal determinou que o início do julgamento da Fase 2 seja adiado de outubro de 2026 para abril de 2027. Segundo o escritório Pogust Goodhead (PG), em comunicado à imprensa, o ajuste é necessário para garantir que o caso, dada sua escala e complexidade sem precedentes, seja apresentado de forma robusta e justa.

A expectativa é que a produção de provas se estenda até dezembro de 2027, com as sustentações finais previstas para março de 2028. O escritório ressaltou que, embora a BHP tenha tentado atrasos ainda maiores, a equipe jurídica atuou para garantir a data mais próxima possível.
 

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Quem permanece na ação inglesa?

O Tribunal forneceu orientações sobre os efeitos de acordos celebrados no Brasil. Atingidos que firmaram acordos com quitação plena e definitiva em programas específicos (como o Novel Geral, PID e Agropesca) e já receberam indenização não poderão prosseguir com suas ações na Inglaterra.

Apesar dessa descontinuidade processual para parte do grupo, a maioria absoluta dos autores continua buscando compensação via tribunal inglês: cerca de 380 mil pessoas (61,3% do grupo original) permanecem firmes no processo. O PG esclareceu que essa decisão é estritamente processual e não diminui a gravidade do sofrimento enfrentado por cada atingido.
 

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Prefeito relata bastidores de Londres

O prefeito de Mariana, Juliano Duarte, acompanhou presencialmente as audiências na Technology and Construction Court. Em relato direto da capital inglesa, ele celebrou o fato de a BHP ter sido considerada culpada pela primeira vez em dez anos pelo que classificou como "o maior crime ambiental do Brasil".

"Estamos participando desta segunda etapa para apresentar toda a documentação que comprova os danos sociais, de saúde, ambientais e econômicos no nosso território", afirmou o prefeito. Duarte reafirmou que Mariana não assinou a repactuação no Brasil porque os municípios não foram ouvidos e os valores foram decididos de forma aleatória. Ele destacou que prefere "assumir o risco" na Inglaterra a aceitar os termos brasileiros, que previam cerca de R$1,2 bilhão para Mariana em 20 anos, enquanto a ação em Londres solicita valores significativamente superiores.
 

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BHP sofre derrotas sucessivas

A mineradora BHP chega a esta fase após sofrer uma derrota significativa em janeiro de 2026, quando o Tribunal Superior de Londres negou a permissão para que a empresa recorresse da sentença de culpabilidade proferida em 2025. A juíza Finola O’Farrell considerou que o pedido não tinha "perspectiva real de sucesso" e manteve a condenação por negligência, imprudência e imperícia.

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Como consequência, a mineradora foi obrigada a realizar um depósito antecipado de cerca de R$300 milhões (43 milhões de libras) referente a custas processuais. Embora a BHP sustente que o sistema judiciário brasileiro é o caminho adequado e pretenda levar o recurso à Corte de Apelação, o processo inglês continua avançando como a principal via de esperança para milhares de atingidos.


Lui Pereira

É jornalista, fotojornalista e contador de histórias. Um cronista do cotidiano marianense.