Tradição e arte marcam a 3ª Feira de Ofícios em Mariana

O evento celebrou saberes populares com exposições, oficina e forró na Escola de Ofícios Tradicionais.

Atualizado em 13/06/2025 às 12:06, por Maria Eduarda Marques.

A Feira reuniu artesanatos e mostras para todos os gostos - Foto: Maria Eduarda Marques/Agência Primaz

Feira de Ofícios

A Feira de Ofícios surgiu há dois anos, a partir da organização da Luciana Lamounier, coordenadora operacional da Escola, e da Ana Amaral, coordenadora de educação, cultura e sustentabilidade. Além das coordenadoras, que estiveram à frente em todas as edições, os professores e alunos também aderiram à ideia.

Assim,a terceira edição da Feira de Ofícios reuniu, nesta última quarta-feira (11), centenas de pessoas, entre elas alunos, ex-alunos, mestres, docentes e toda a comunidade da região.

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A Escola de Ofícios abriu suas portas para expor as habilidades artísticas dos alunos. Andreza Gonçalves, esposa do aluno Rogério, do curso de carpintaria, comentou sobre a importância da feira para a divulgação dos trabalhos. “Tem bordado, pintura, palha, artesanato. A diversidade disso tudo nesse evento chama a atenção. Então você vê que a cidade é muito rica em cultura”, conta entusiasmada.

Nesse sentido, Edinéia Araújo, diretora geral da escola, também contou que, em virtude da divulgação de trabalhos na Feira de Ofícios, a comunidade acaba se interessando pelos cursos. “Nós estamos em uma cidade patrimônio, se não tiver o olhar de preservação, como vão ficar as futuras gerações? Então nessa escola trabalhamos os ofícios que estão morrendo, se perdendo, passamos esse conhecimento para frente”,comenta Edinéia.

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A Feira de Ofícios reuniu toda a comunidade em uma noite animada - Foto: Maria Eduarda Marques/Agência Primaz

Além das mostras, André Perdigão, arquiteto urbanista e aluno do curso de alvenaria da Escola de Ofícios, mediou uma oficina de desenho e aquarela durante a feira. Ele ensinou teorias das cores e perspectiva e de como é feita a construção do desenho, compartilhando dicas de como fazer contraste, textura e iluminação. “O ofício do desenho tem que se tornar cada vez mais democrático, então eu propus a oficina como uma forma de democratizar essa atividade. Poder construir isso junto à escola, para mim, é muito gratificante”, comemora o artista.

A feira contou não só com a exposição dos projetos e da oficina, como também com a venda de artesanatos, doces e comidas típicas de festa junina, como caldo, canjica e quentão.

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Para fechar a noite com chave de ouro, o Trio Chinelado levou o melhor do forró ao som da sanfona, do triângulo e da zabumba.

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Oficina de desenho e aquarela - Foto: Maria Eduarda Marques/Agência Primaz
André Perdigão é faz parte do Urban Sketchers, grupo que desenha o cotidiano das cidades - Foto: Maria Eduarda Marques/Agência Primaz
Trio Chinelado marcou presença na Feira - Foto: Maria Eduarda Marques/Agência Primaz

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Escola de Ofícios Tradicionais de Mariana

A Escola de Ofícios Tradicionais de Mariana (EOTM) busca viabilizar a preservação do patrimônio em suas dimensões material e imaterial, por meio da capacitação em técnicas construtivas tradicionais.

Vale mencionar, então, que um “ofício tradicional” é um “saber fazer” transmitido no tempo por meio de valores, costumes, conhecimentos e técnicas. É como uma herança cultural recebida do passado, uma vez que se adapta a cada período histórico, em um constante processo de produção e transformação de conhecimentos que mantém as características originais para que se preserve como tradicional.

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Arlindo Souza é mestre em carpintaria, trabalha com reciclagem de madeira e é aluno da Escola de Ofícios - Foto: Maria Eduarda Marques/Agência Primaz

Sérgio Norberto, professor do curso de alvenaria e bioconstrução, comentou sobre a importância da escola para perpassar esses saberes. “O saber de fazeres tradicionais são elementos que representam nossa nação, são uma das características que unem determinados grupos. O sistema construtivo é uma dessas características, mas, com o advento dos materiais mais modernos, a tradição acaba se perdendo. Por isso a escola é muito importante, porque resgata isso”, relata o professor.

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Sérgio também ministrou no ano passado a primeira edição docurso“Pedreira – mulheres em construção”, que tem como objetivo a formação e qualificação da mão de obra feminina para construção civil.

Estruturas feitas por alunos do curso de Alvenaria - Foto: Maria Eduarda Marques/Agência Primaz

Dessa forma, a escola atende à demanda por mão de obra qualificada para serviços de restauração e construção civil na região e à necessidade de geração de renda para a economia local.

Nesse sentido, dedica-se à salvaguarda e à promoção das técnicas tradicionais, formando indivíduos para cuidarem do patrimônio edificado de maneira sustentável e inovadora.

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Os cursos ofertados pela EOTM são gratuitos e têm duração de um semestre, divididos em cinco áreas de qualificação específicas: Alvenaria (taipa, adobe e pau a pique), Carpintaria (madeira), Forjaria (forja artística), Cantaria (pedra), Marcenaria (madeira e ferro) e Pintura (cal, óleo, estêncil e pátinas).

Os alunos participam de aulas teóricas e práticas dos ofícios e das aulas com temas transversais, além de visitas técnicas a obras de conservação e restauro e outros trabalhos de campo.

A Escola de Ofícios Tradicionais de Mariana é uma iniciativa do Instituto Pedra, com patrocínio master do Instituto Cultural Vale, com o apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Prefeitura de Mariana.

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Como se inscrever

Asinscriçõespara o semestre 2025/2 da Escola de Ofícios Tradicionais de Mariana, que vai ter início no dia 12 de agosto, continuam abertas até dia 20 de junho.

Os cursos oferecidos são alvenaria tradicional e técnicas bioconstrutivas, cantaria, forjaria, marcenaria e pintura.

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As dúvidas podem ser enviadas para o WhatsApp oficial da Escola, (31) 98741-8050, para o e-mailcomunicacao@escoladeoficios.org.brou para asredes sociais.

Endereço:Rua Cônego Amando, 278, Bairro Chácara

Telefone:(31) 3560-2108
Site:www.escoladeoficios.org.br

Maria Eduarda Marques

Natural de João Monlevade (MG), é graduanda do curso de Jornalismo pela Universidade Federal de Ouro Preto, com interesse em pautas culturais e fotojornalismo. Atuou como estagiária da Agência Primaz entre março e agosto de 2025.