No dia que Mariana completa 325 anos, a cidade ganha um marco de identificação
Voltando um pouco na história, marcos de identificação, e de posse territorial nas entradas das cidades e povoações, remontam há muitos séculos e faziam parte da organização e da identificação das primeiras vilas e cidades desde do início da civilização. Ao longo dos tempos, as suas formas de construção e materiais foram variando, mas mantiveram o objetivo de permitir a orientação do viajante e a identificação das vilas e cidades. Muitas vezes lavrados em pedra, hoje são uma referência história da posse destes povoamentos e terras.
Um destes exemplos são as sesmarias lote de terras distribuído a um beneficiário, em nome do rei de Portugal, com o objetivo de cultivar terras virgens. Originada como medida administrativa nos períodos finais da Idade Média em Portugal, a concessão de sesmarias foi largamente utilizada no período colonial brasileiro.Para sua marcação,fincavam um marco de pedra com quatro cruzes (uma em cada face) na margem da estrada para delimitar a posse do proprietário.
A cidade de Mariana, ganha um monumento que reflete muito bem essa tradição de identificação urbana. O monumento artístico construído no canteiro central da rodovia MG 262, em frente ao terminal rodoviário de Mariana, obra do mestre Rinaldo Urzedo e sua equipe, remontando à arte colonial, foi feito para identificação da cidade e orientação do viajante.
Tecnicamente, são dois monumentos que se fundem em um. Construídos em cantaria de pedra e argamassa, e com inspiração nas construções do período colonial mineiro, os monumentos certamente serão mais um atrativo para a cidade.
O primeiro monumento vertical foi desenhado e construído com inspiração nos chafarizes coloniais, possui quase 15 metros de altura em formato característicos das fontes coloniais, dois pináculos e uma coroa, cornija e um frontão detalhado no melhor estilo colonial. A identificação do nome MARIANA em sentido vertical embeleza o monumento.
Já o segundo, horizontal, é uma homenagem a um dos maiores mestres construtores do período colonial brasileiro, José Pereira da Arouca. Além de construir diversos prédios em Mariana e Vila Rica, o mestre Arouca, em 1782, foi contratado para construir uma nova estrada entre Mariana e Vila Rica. A nova estrada tinha o percurso da Igreja de São Pedro em Mariana, passando pela fazenda do Bucão, em Passagem de Mariana, até o Taquaral, em Vila Rica. O projeto previa a construção de pontes (Bucão e Passagem) e vários chafarizes (São Pedro, Bucão, Passagem e Taquaral). O marco horizontal, é uma homenagem à extinta ponte do Bucão, que foi construída em forma de três arcos. O nome da cidade em sentido horizontal dá amplitude ao monumento.
Os simbolismos são apresentados nos dois monumentos como no uso de esteatito (pedra-sabão)e quartzito na construção, identidade mineira na arte da cantaria. Os três arcos do monumento horizontal são a homenagem do artista àcidade tricentenária de Mariana, cada arco representado um século. O monumento vertical possui na parte superior, um detalhe emblemático, um coroa em metal, que remonta aos marcos coloniais e do Império Brasileiro. Entre os dois monumentos há uma jardinagem, com plantas decorativas que fazem a ligação dos dois espaços, dando a impressão que são um só.
Parabéns ao poder público municipal pela iniciativa e a todos que participaram desta empreitada! Obras como esta nos remetem as pedras e argamassas utilizadas em edificações localizadas nos inúmeros sítios históricos de Minas Gerais, e dão sustentação a um importante patrimônio material, que são um marco da nossa identidade.
Cristiano Casimiro dos Santos é editor da Revista Mariana Histórica e Cultural
Cristiano Casimiro dos Santos
Cristiano Casimiro dos Santos é editor da Revista Mariana Histórica e Cultural









