O perigo dos medicamentos falsos contra a dengue

Internautas precisam tomar cuidado com a indicação de supostos remédios e curas para a doença transmitida pelo Aedes aegypti

Atualizado em 11/02/2024 às 09:02, por Beatriz Araujo de Oliveira.

Começam a aparecer, nas redes sociais, recomendações de medicamentos falsos e tratamentos ineficazes contra a dengue - Foto: Unsplash

Medicamentos falsos

A partir das notícias que Sistema único de Saúde passaria a distribuir doses da vacina Qdenga, produzida no Japão, para 521 cidades de 16 estados e do Distrito Federal, começaram a circular, nas redes sociais, recomendações de remédios e tratamentos ditos alternativos, contra a dengue.

Um desses casos aconteceu em Águas Lindas (GO), quando uma monitora de uma escola pública sugeriu que 200 mililitros de suco de limão poderiam matar o vírus da dengue e acabar com a carga presente no organismo. O vídeo compartilhado ainda afirmava que caldo de cana seria o suficiente para tratar de casos hemorrágicos da doença.

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Outro caso, semelhante ao que aconteceu durante a pandemia da Covid-19, com a recomendação do uso de ivermectina para o combate à dengue.

Nessa sexta-feira (09), reportagem publicada pela Agência Minas, informava que “o uso de substâncias e remédios não autorizados – ou sem comprovação científica – para o tratamento de doenças pode provocar danos à saúde, piorar o estado de pessoas doentes, além de gerar a possibilidade de interações medicamentosas, quando os efeitos de uma substância ou fármaco são alterados por outra substância”.

De acordo com reportagem publicada pelo Carta Capital, “a ivermectina voltou a ganhar holofotes como possível solução para combater a dengue. De acordo com o Ministério da Saúde, trata-se de boato veiculado, inclusive, no perfil das redes sociais de alguns profissionais de saúde, mas sem dado ou fonte que comprove a informação”.

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Recomendações eficazes

Não existe um medicamento específico que possa combater a dengue. O que os médicos recomendam são remédios para agir sobre sintomas da doença, como dor de cabeça e febre. Em casos mais graves, quando os infectados apresentam enjoo frequente, sangramento de mucosas e dores abdominais intensas, é necessário que o enfermo seja encaminhado para o hospital o mais rapidamente possível.

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Em entrevista para o portal G1, Irineu Maia, médico infectologista da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto, fala que um medicamento confiável é a dipirona, mas que o paciente ainda deve consultar um profissional da saúde para fazer um tratamento confiável e eficaz. Entretanto, ressalva que o ácido acetilsalicílico, um anti-inflamatório que alivia a dor, é proibido por aumentar o risco do paciente sangrar, enquanto o paracetamol deve ser evitado para não produzir alterações no fígado durante o tratamento.

A melhor recomendação para o combate à dengue continua sendo evitar a reprodução do mosquito, que necessita de água parada para a deposição dos ovos. Dessa forma, é necessário tomar cuidado com o acúmulo de água em vasos de planta, no compartimento atrás da geladeira, em baldes etc. É importante o uso de repelente, principalmente durante a manhã e o final da tarde, horários de maior circulação do Aedes Aegypti. Outra dica é vestir roupas que cubram o corpo e tenham tons de cor claros.


Beatriz Araujo de Oliveira

Nov/2023 - Fev/2024