Mariana cria data para celebrar a herança africana e indígena

Projeto de Lei propõe a comemoração do "Dia Marianense das Tradições de Matrizes Africanas, Afro-brasileiras e Indígenas".

Atualizado em 10/04/2025 às 15:04, por Maria Eduarda Marques.

O Congado Nossa Senhora do Rosário e São Sebastião de Mariana fortalece a cultura afro-brasileira na cidade - Foto: Marina Ferreira/Agência Primaz

Dia Marianense das Tradições Africanas e Indígenas

Mariana, com sua rica e diversificada história, se configura como um verdadeiro berço de cultura e tradição, onde o sincretismo e as influências de diversas matrizes culturais formaram a base de sua identidade enquanto município. A cidade, com suas origens coloniais, interage com as raízes africanas e indígenas, refletindo nas manifestações culturais, religiosas e artísticas que marcam a vida da população até os dias de hoje.

A partir disso, se viu necessário que Mariana se posicionasse ativamente em defesa da preservação e valorização dessas tradições, estabelecendo um dia dedicado a celebrar as culturas e heranças de matrizes africanas e indígenas.

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A proposta, de autoria do vereador Fernando Sampaio (PSDB), instituiu então o dia 21 de março como data oficial da celebração.

Projeto de lei nº 96/2025

Este projeto de lei visa estimular a realização de eventos culturais que valorizem os saberes tradicionais ao fortalecer a identidade marianense e combater toda a discriminacão racial, étnica e religiosa, a fim de promover uma cidade mais inclusiva e plural.

Dessa forma, o dia 21 será marcado, anualmente, por eventos, apresentações culturais, oficinas, palestras e exposições, com a participação ativa das comunidades locais e representantes das tradições indígenas e de matrizes africanas, com o intuito de resgatar essas tradições.

O Poder Executivo Municipal também deve incentivar a realização de campanhas de conscientização nas escolas públicas e privadas do município.

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Durante a Reunião Ordinária em que o projeto foi votado, Fernando Sampaio ressaltou ainda que a aprovação do projeto simboliza um ato de respeito e reparação a estas comunidades que constituíram a cidade de Mariana sob trabalho escravo e mantém vivas suas tradições, mesmo após séculos de exclusão.

Guarda de Congo, Nossa Senhora do Rosário e São Sebastião - Foto: ASCOM/Prefeitura de Mariana

Além disso, destacou como exemplo o congado da Barroca, que preserva a herança cultural africana há mais de 90 anos.

Com a aprovação, o projeto segue para sanção do Poder Executivo e entra em vigor na data de sua publicação. A expectativa é que a primeira celebração oficial ocorra já em março de 2026.

Fonte: Câmara de Mariana

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II Exposição Projeto Resistências e (Re)Existências

Nesse sentido, vale a pena conhecer a Exposição “Resistências e (Re)Existências”, realizada pela Associação dos Docentes da UFOP (Adufop) e coordenada pelos professores Deborah Pessoa e Marcelo Donizete. O projeto traz referências negras e indígenas de persistência na preservação da ancestralidade e busca por justiça e reparação social nos territórios de atuação da UFOP.

Segundo os organizadores, cada história contada representa um ato de resistência que reafirma a identidade e a importância desses povos na construção da sociedade, por meio de narrativas individuais e coletivas.

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Confira a programação completa na nossaAgenda Cultural.

Serviço:

Data:14 de março a 16 de maio

Horário:08h às 22h

*Entre os dias 14 e 30 de abril, o horário de visitação ocorre entre 9h e 17h devido ao recesso acadêmico da UFOP*

Local:ICSA – Rua do Catete, 116, Centro, Mariana-MG


Maria Eduarda Marques

Natural de João Monlevade (MG), é graduanda do curso de Jornalismo pela Universidade Federal de Ouro Preto, com interesse em pautas culturais e fotojornalismo. Atuou como estagiária da Agência Primaz entre março e agosto de 2025.