Guerra dos streamings: quem vence e perde essa batalha?

Preço é uma arma ou armadilha nessa guerra?

Atualizado em 10/04/2023 às 10:04, por Kael Ladislau.

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Ouça a coluna de Kael Ladislau:

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Há poucos anos, não era difícil confundir o termo “streaming de filme” com Netflix. A empresa era queridinha dos usuários e imperava nesse ramo. Mas algo mudou: ela ganhou fortes concorrentes. Além da Netflix, há outros pesados nomes nesse universo atualmente: HBO Max, Star+, Disney+, Prime Video…

Não só ganhamos nomes e siglas nesse mercado, como também uma possibilidade maior de oferta de filmes. Não há como negar, isso é bem vantajoso para o consumidor. Mas… até que ponto?

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Há de se considerar que esse tanto de oferta não ajuda muito quando o assunto é o que e onde assistir a um filme. E em um país ainda marcado pela má distribuição de renda, é problemático manter mesmo os preços mais básicos os planos desse tanto de streaming. Os preços, é claro, são o grande X dessa questão. Manter um streaming barato a troco de uma oferta menos chamativa talvez não seja um custo-benefício verdadeiramente bom.

Voltemos a Netflix para exemplificar. Não é à toa que mesmo com a concorrência pesada, ela ainda seja a queridinha nesse quesito. Em seu catálogo, é possível encontrar obras que, se fossem no cinema, poderiam ser chamados de blockbuster ou mesmo séries que seriam audiência certa na TV.

De acordo com o levantamento da Howtogeek com ajuda da Justwatch (um serviço ótimo para achar onde assistir a um filme pelo streaming, aliás), feito em outubro de 2022, descobriu-se que a Netflix possui 3.800 filmes aproximadamente. Ela perde para a Prime Video, da Amazon, que possui perto de 8.700 aproximadamente.

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Pagar os valores que a Netflix possui hoje, ou mesmo o Prime, dá para pensar que talvez, sim, uma das duas sejam bem vantajosas se considerar preço por número de filmes disponíveis. Vale mencionar que esse levantamento considerou o catálogo dos EUA.

Mas… e qualidade?

Falar em qualidade quando o assunto é filme ou qualquer obra de arte é permear um universo bem subjetivo. Gosto pessoal é algo que certamente não será descrito em cartilha nenhuma.

Então dizer sobre qualidade, por mais que grandes obras sejam tecnicamente impecáveis, ganhem inúmeros prêmios ou tenha o maior número de sucessos de bilheteria não significa muita coisa. Uma pessoa pode perfeitamente optar pela Netflix enquanto alguém escolha a HBO Max e ambas estarão corretar, cada uma a seu critério. Aqui, a Inês é morta.

Mas, então, como solucionar essa questão?

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Por mais que a questão qualidade seja algo que precisa ser debatida em um âmbito pessoal, ela não pode ser ignorada. E por isso, há, sim algo que pode solucionar um assunto que pode ter vários tipos de conclusão. A curadoria:

A definição dessa palavra pode ser entendida como um processo de concepção de uma exposição. É escolher e organizar algo. E se tratando de streamings é a maneira como cada empresa oferece o seu serviço.

Voltamos à Netflix. Seu apelo popular, traz para seu catálogo obras também populares e muitas vezes feitas para agradar a um público mais amplo. Pode perceber que obras como Stranger things ou mesmo La Casa de Papel são sucessos porque possuem elementos que agradem a geral.

O Prime Video é parecido, ainda que não possua o apelo popular da Netflix.

Uma “querida” por aqueles que gostam de filmes mais clássicos é a HBO Max. O catálogo repleto de sucessos do passado e mais outras hypes dos EUA ajudam a encantar uma boa parte do público. Ajuda que a HBO Max é parte de uma poderosa marca de entretenimento, a Warner Bros.

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O que dizer da Disney +, com seu arsenal de sucessos de uma das marcas mais poderosas do mundo pop? Não dá para dizer que a Disney não pensa bem sobre a curadoria que ela oferece. Tanto que ela possui dois streamings: a Disney +, com clássicos infantojuvenis, e o Star+, com obras para jovens mais velhos e adultos.

Outros streamings menos populares possuem curadorias peculiares. A Mubi é a querida de cinéfilos que gostam de filmes mais conceituais, de realizadores mais autorais. Algo que está bem longe de ser um sucesso de bilheteria, talvez. A Mubi não só possui essa áurea, como oferece uma recomendação por dia para seu usuário.

No fim das contas, ainda vale o que o público mais gosta

No meio desse debate, a solução para achar o vencedor dessa guerra é mesmo a preferência de cada público. A máxima de que não dá para vencer uma guerra sem grandes perdas vale aqui também. Optar por um ou outro streaming, pode ser, sim, escolher uma em que o filme do momento não estará.

São perdas que todas escolhas trazem. Mas a oferta está aí. Se couber no bolso, tudo certo.


Kael Ladislau

Kael Ladislau é Jornalista graduado pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP).