Farmácia distribui kits com Tadalafila para repúblicas em Ouro Preto

Ação gerou nota de repúdio da Escola de Farmácia da UFOP e fiscalização; administrador reconhece erro, retira produtos e regulariza situação

Atualizado em 29/01/2026 às 15:01, por Lui Pereira.

A imagem mostra alguns medicamentos embalados em plástico, em destaque vemos o rótulo do Tadalafila. Dentro do pacote vemos um panfleto com os dizeres

O kit era composto por multivitamínicos, Tadalafila, um "kit ressaca" e substâncias que supostamente aumentariam a libido feminina - Foto: Reprodução

A recém-inaugurada farmácia de manipulação Biomagistral tornou-se alvo de uma polêmica em Ouro Preto após realizar a entrega de 35 kits promocionais em repúblicas estudantis. A iniciativa, que visava divulgar o novo estabelecimento, incluiu a distribuição de substâncias como a Tadalafila (em duas dosagens), além de produtos com apelo de "estimulante da libido feminina" e itens "antirressaca".

 

Os riscos e a ilegalidade da ação

A repercussão foi imediata por parte da Escola de Farmácia da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), que emitiu uma nota de repúdio classificando a conduta como uma "forma explícita de incitação ao Uso Irracional de Medicamentos (URM)". Segundo a instituição, a Tadalafila é um fármaco sujeito a prescrição médica e seu uso sem orientação, especialmente se associado ao álcool, pode causar graves alterações cardiovasculares, como arritmias e queda brusca da pressão arterial.

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A Escola de Farmácia fundamentou seu repúdio citando legislações federais e normas da ANVISA (como a Lei nº 6.360/1976 e a RDC nº 96/2008), que proíbem terminantemente a entrega de medicamentos como brindes, prêmios ou vantagens que induzam ao consumo. A nota reforça que medicamentos não são mercadorias para fins de entretenimento e que sua dispensação deve ocorrer obrigatoriamente sob supervisão profissional em ambiente de saúde licenciado.

 

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A resposta da Biomagistral: "Erramos" 

A fim de resolver o problema e evitar uma repercussão negativa prolongada, o sócio-administrador da farmácia, Diego Reis, admitiu abertamente a falha na estratégia. Em declaração à Agência Primaz o gestor foi enfático: "Eu montei um kit e realmente eu errei".

Diego detalhou que, tão logo foi orientado pelo Conselho de Farmácia e pela Vigilância Sanitária, iniciou uma operação de recolhimento dos itens. Segundo o administrador, 33 dos 35 kits foram recuperados pela própria farmácia e o processo foi devidamente protocolado junto aos órgãos de fiscalização.

Quanto aos dois kits restantes, as repúblicas que os receberam assinaram declarações de que o material foi descartado, garantindo assim que 100% dos produtos distribuídos saíram de circulação.

 

Fiscalização e regularização

Apesar da abertura de um auto de autuação pela Vigilância Sanitária, Diego Reis afirmou que todas as pendências apontadas já foram "tratadas e sanadas". O empresário destacou que o Conselho de Farmácia compareceu ao local e forneceu as instruções necessárias para adequar a operação às normas éticas e sanitárias.

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A situação, embora resolvida do ponto de vista operacional pela empresa, deixou um alerta para a comunidade acadêmica e empresarial local sobre a responsabilidade técnica e ética no setor farmacêutico. O empresário colocou-se à disposição para futuros esclarecimentos e demonstrou interesse em manter a conformidade legal em suas próximas ações de publicidade.


Lui Pereira

É jornalista, fotojornalista e contador de histórias. Um cronista do cotidiano marianense.