Dirigir para sobreviver: série que resgatou torcida brasileira para a Fórmula 1 estreia sua 5ª temporada

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Atualizado em 27/02/2023 às 12:02, por Kael Ladislau.

Foto: Divulgação

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O automobilismo sempre teve muita força com a torcida brasileira, em especial a Fórmula 1. Desde a primeira conquista de Emerson Fittipaldi, passando por Piquet e Senna, o Brasil se prendeu à tela da TV para torcer por seu piloto favorito. Mas, com a morte de Senna, em 1994, e os insucessos de Rubens Barrichello e Felipe Massa nos anos posteriores, o interesse do fã brasileiro parece ter caído, sobretudo no começo dos anos 10.

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Prova disso foram as quedas de audiência da TV Globo que, talvez motivada a isso e aos excessivos horários conflitantes com o futebol, começou a desmotivar a cobertura da F1, tendo, em alguns casos, feito não a transmissão, mas sim um compacto, horas depois do fim das corridas.

Pesou também os cortes de 2020 devido à pandemia de Covid-19, que reduziu significativamente o retorno das coberturas.

Tudo isso fez, então, que em 2020, a Globo tivesse a sua última transmissão de temporada, passando à Band o “bastão” e a responsabilidade de resgate do torcedor nacional.

É claro que o novo gás da emissora responsável por trazer as transmissões ao vivo para o Brasil poderia fazer com que a torcida nacional voltasse seu interesse ao esporte.

Mas ela contou com uma ajuda poderosa: a da Netflix. Em 2019 estreou Dirigir para Viver (Drive to Survive em inglês, que rendeu a popular sigla DTS na internet).

O documentário é responsável por mostrar os bastidores das corridas e o relacionamento entre os pilotos e seus diretores.

Ele preserva o formato de documentário mais tradicional, com cenas das transmissões e entrevistas exclusivas dos pilotos, que podem comentar determinado momento e situações do campeonato.

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E é claro que são os pilotos os grandes personagens de DTS. E com a ajuda das redes sociais, a torcida começou a conhecer melhor quem são aqueles no cockpit e a movimentar uma fanbase provavelmente pouco vista desde a época de semana.

Quem acompanha F1 ao longo dos anos e está presente nas redes sociais, pôde perceber a explosão de perfis de “portais” de pilotos de diferentes nacionalidades, sem esquecer dos influencers e páginas de memes depois do advento de DTS.

Alguns pilotos em especial e não poderia deixar de ser o heptacampeão do mundo, e já uma lenda no esporte, Lewis Hamilton, e o atual bicampeão Max Verstappen.

Mas nem tudo são flores para a produção da Netflix. Alguns pilotos, por discordarem da forma como a edição de DTS os representa e coloca situações que não necessariamente ocorram da forma como é mostrada.

Verstappen é um deles. O holandês se recusou a dar a entrevista em 2021, justamente quando ganhou seu primeiro campeonato.

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De fato, algumas situações são bem forçosas. Alguns conflitos internos simplesmente não existem e vez ou outra algo é colocado fora de contexto para dar mais emoção à produção.

A quinta temporada mostrará a edição do ano passado, quando, com sobras, Max se sagrou bicampeão. Muito diferente de 2021, quando disputou até a última volta do ano (literalmente) o campeonato com Hamilton.

Essa nova temporada já está disponível na Netflix e o campeonato de 2023 começa no domingo, dia 5.

Independente das já existentes reclamações da edição deste ano, Drive to Survive deve entreter mais do que a disputa do ano passado.


Kael Ladislau

Kael Ladislau é Jornalista graduado pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP).