Charrete elétrica irá custar 20 mil por mês para a Prefeitura

Prefeitura de Mariana lança passeios de charrete como novo atrativo turístico da cidade

Atualizado em 17/07/2025 às 17:07, por Larissa Antunes.

A charrete elétrica foi inaugurada durante as festividades de aniversário de Mariana - Foto: Larissa Antunes/Agência Primaz

Valorização do comércio local

A proposta partiu da Secretaria Municipal de Patrimônio Cultural e Turismo, que identificou baixa permanência de visitantes na cidade. Segundo estudos técnicos, a iniciativa responde ao cenário de que Mariana é vista como uma cidade de passagem, com visitantes que permanecem por poucas horas, gerando baixo impacto econômico no comércio local.

De acordo com a proposta, o novo serviço propõe um passeio informativo pelo Centro Histórico, conduzido por charreteiros que compartilham curiosidades locais, como uma forma de “experiência imersiva e inovadora”.

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O Termo de Referência, documento que estabelece parâmetros que definem a contratação da charrete elétrica, declara que a implantação do veículo em Mariana “tem como objetivo ampliar o tempo de permanência dos turistas na cidade, incentivar o comércio local, além de promover uma forma de turismo sustentável, livre de tração animal”.

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Contrato e justificativa de locação

A empresa Verth Tecnologia e Serviços LTDA foi contratada para a locação do veículo, além de ser responsável pela manutenção preventiva e corretiva e pela contratação do condutor.

Será pago à empresa Verth Tecnologia um valor de R$ 231.924,00 ao longo de um ano, ou seja, R$ 19.327,00 por mês pela locação de charrete elétrica e mão de obra (condutor) para passeios turísticos no centro histórico da cidade de Mariana, incluindo manutenção corretiva e preventiva, em conformidade com a Lei 14.133/2021.

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De acordo com Estudo Técnico Preliminar, a aquisição da charrete elétrica custaria aos cofres públicos, um valor de R$162.750,99. A mesma empresa venceu uma licitação de venda de 9 charretes similares à cidade de Poços de Caldas em 2024, pelo valor de R$101.240,00 a unidade, com garantia de um ano. Ainda assim, a Prefeitura de Mariana decidiu que a melhor alternativa seria a locação, que contempla uma charrete elétrica com manutenção preventiva e corretiva e mão de obra (condutor).

A justificativa da Prefeitura para optar pela locação da charrete elétrica em vez da compra é de que essa é uma forma de implantar um projeto piloto, de baixo risco financeiro, com o objetivo de avaliar a aceitação do serviço por turistas e moradores antes de realizar um investimento permanente.

A administração argumenta que não dispõe de equipe técnica para operar e manter o equipamento, o que exigiria altos custos com capacitação, contratação e aquisição de ferramentas caso fosse feita a compra direta.

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Com a locação, todos os encargos de manutenção e operação ficam sob responsabilidade da empresa contratada. Segundo o documento, o modelo de contrato proporciona flexibilidade, permitindo ajustes conforme a demanda e a possibilidade futura de aquisição definitiva, se o serviço se mostrar bem-sucedido.

De acordo com Bruna Magalhães D’Angelo Freitas, chefe do Departamento de Receptivo Turístico, o valor de R$30,00 cobrado para andar na charrete será destinado ao Fundo Municipal de Turismo (FUMTUR) de Mariana, para que o valor seja convertido, futuramente, em ações da Secretaria de Patrimônio Cultural e Turismo.

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O condutor Jhonatan William aguarda a chegada de passageiros no ponto de embarque - Foto: Larissa Antunes/Agência Primaz

Características da charrete

O modelo da carruagem elétrica adotado em Mariana tem como referência o veículo desenvolvido em Tiradentes, escolhido por sua compatibilidade com as características geográficas e urbanas das duas cidades, como ladeiras, calçamentos de pedra e vias estreitas. O projeto original contou com a colaboração da associação de charreteiros de Tiradentes e foi testado previamente em Mariana, demonstrando bom desempenho em termos de segurança, conforto e sustentabilidade. O veículo a ser utilizado deverá atender, no mínimo, aos mesmos padrões estruturais.

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Já o condutor, deve utilizar vestimenta de época, inspirada no estilo clássico do século XIX ou início do século XX. O traje inclui chapéu alto tipo cartola ou coco, casaco fraque em cores escuras, camisa branca com gola alta, gravata borboleta ou simples, calças ajustadas e botas de couro de cano alto. O uniforme é complementado por luvas escuras e acessórios como lenço na lapela e, possivelmente, um relógio de bolso. O conjunto tem como objetivo reforçar a ambientação histórica e proporcionar uma experiência imersiva aos passageiros.

Trajeto

De acordo com Jhonatan William, um dos condutores da charrete, o passeio dura em torno de quarenta minutos. Segundo ele, dentre os pontos percorridos pelo trajeto, que se inicia no Terminal Turístico de Mariana, ponto de embarque e desembarque, estão a Praça Minas Gerais, a Catedral Basílica Nossa Senhora da Assunção, a Praça da Sé, Praça Gomes Freire (Jardim), Igreja de São Pedro, Igreja Nossa Senhora das Mercês. Durante o percurso, são feitas duas paradas de cinco minutos, uma na Câmara de Mariana e outra na Igreja São Pedro.

Como adquirir o passeio de charrete?

Para quem quiser passear de charrete, basta procurar o Centro de Atendimento ao Turista (CAT), localizado na Rua Direita, nº 93. Após adquirir os ingressos, basta se dirigir até a área de embarque, localizada no Terminal Turístico.


Larissa Antunes

É graduanda em Jornalismo na UFOP e estagiária na Agência Primaz de Comunicação. Possui interesse por jornalismo cultural, radiojornalismo, audiovisual, fotojornalismo, movimentos político-sociais e expressões artístico- culturais.