Cartas pra Mãe: A senhora já prestou bem atenção no Paulo Guedes?
Mãe, a senhora já prestou bem atenção no Paulo Guedes? Enquanto os holofotes dão luz ao obscurantismo do Bozo, as crueldades do Guedes passam batido por muitos de nós.
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Mãe,
A senhora já prestou bem atenção no Paulo Guedes?
Enquanto os holofotes dão luz ao obscurantismo do Bozo, as crueldades do Guedes passam batido por muitos de nós. De certa forma, é fácil se horrorizar com o óbvio, com o explícito…
Não é difícil ver a maldade em um homem que cancela CPFs e imita falta de ar, entre risadas e palavrões, certo? Mas pode ser um tiquim mais difícil ver o quanto a política de Guedes se encaixa como luva no projeto genocida que faz o Brasil de cobaia.
Hoje, Guedes falou sobre o desperdício, tal qual um “pai educador”. Reclamou dos excessos no prato da classe média, clamando por solidariedade ao dizer que os restos poderiam alimentar “os pobres”. Não foi chacota, não, Mãe.
É isto que ele chama de diminuir a desigualdade social: reduzir o pratão da classe média e dar o que sobra aos programas sociais. Todos têm que fazer um esforço pela pátria, afinal.
Porque pra eles, Mãe, há quem mereça viver e há quem, com sorte, sobrevive. Pra eles, programas sociais têm um único propósito: dar migalhas para estampar as manchetes dos jornais coniventes. Não se fala em educação, não se fala em oportunidades. Tudo é brusco, animalesco.
Sabe o que é mais triste? Que o pensamento do Guedes reflete a vontade de muitos. Os mesmos que agora se dizem assustados com o Bozo são os que endoidecem a qualquer mínima ameaça às hegemonias.
O Bozo vai passar, porque não há escuridão que dure para sempre. Mas o discurso e as ações do Guedes certamente vão continuar – dormentes ou não – porque eles são parte de um país que ama caridade, mas não suporta consciência social.

Jamylle Mol
Jamylle Mol é jornalista e marianense








