“Arte da Guerra” retrata vivências de artistas independentes

Inspirado no conceito de escrevivência, curta-metragem revela a potência criativa de artistas da região de Mariana.

Atualizado em 18/07/2025 às 10:07, por Maria Eduarda Marques.

Bastidores do curta "Arte da Guerra"- Foto: Marina Ferreira

Curta-metragem “Arte da Guerra”

Arte da Guerra nasce com o objetivo de fortalecer o cenário poético da margem, pouco viabilizado na região. “Aquiles tem uma música de nome Arte da Guerra e a gente já tinha tido várias conversas sobre a escassez e a falta de recursos sendo artista independente aqui na região. Nós dois somos artistas da palavra, e aí veio essa oportunidade com o edital e pensamos, por que não levar isso para o cinema?”, explica Mirian, diretora, roteirista e atriz do curta.

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Ela define Arte da Guerra como um contexto de combate, em que muitos pretos são inseridos desde o nascimento. “Quem é artista vive nessa luta constante para sobreviver da arte. E nesse cenário da periferia, a gente entende que a cultura é o que movimenta o cotidiano, que permite que a gente continue vivo, porque a própria periferia é um polo de produção cultural muito grande”,afirma.

Nesse contexto, multiplicam-se os artistas que expressam suas vivências por meio das artes visuais, do canto, do hip-hop, do grafite, do break, da dança e de outras formas de criação. É essa arte, segundo Mirian,que faz pensar que a gente nasce com esse alvo no corpo, de ter que estar o tempo todo desenvolvendo estratégias para continuar vivo, para ter dinheiro no fim do mês. É essa malandragem que a gente aprende nas ruas, movimento que é preciso dentro do campo de batalha para você conseguir vencer a guerra”, completa a diretora.

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Artistas e equipe se organizam para mais uma tomada de “Arte da Guerra” - Foto: Marina Ferreira

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O que esperar de “Arte da Guerra”

A narrativa acompanha, então, cinco personagens: Bad Miroca, Killa e Aquiles (também produtor geral do curta), Kete e Bomblack, integrantes do Movimento TT1, que, além de lidarem com as dificuldades do cotidiano, insistem em fazer da arte uma ferramenta de sobrevivência e resistência.

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Arte da Guerra é construído a partir do conceito de escrevivência, elaborado pela escritora Conceição Evaristo. Nesse sentido, as vivências dos próprios artistas, marcadas pela marginalização, pela força ancestral e pelo ativismo cultural, se entrelaçam à ficção e ganham vida na tela por meio da poesia, do hip-hop, da espiritualidade, da capoeira e de formas autônomas de trabalho artístico.

Mirian conta que foram feitas diversas entrevistas com os artistas para que fosse construído o roteiro, baseado na rotina e nas individualidades de cada um. Aliado à isso, o conceito de escrevivência, parte da vida de Miran desde muito tempo, surge de forma espontânea. “Eu transformo o que eu vivo em palavra, como forma de sobrevivência e para conseguir resistir ao sistema. E a minha poesia é feita daquilo que tá no meu cotidiano, sem ela eu não consigo respirar e sem respirar eu não tenho a minha existência”, relata a diretora.

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As filmagens terminaram no primeiro final de semana de julho e o projeto já se encontra na fase de pós-produção. Enquanto a data de lançamento não é anunciada, é possível acompanhar os bastidores da produção pelo instagram@art3dagu3rra.

Mirian espera que o curta-metragem desperte questionamentos no público, que vão ser respondidos após assistir à produção. “É possível vencer essa guerra sem se corromper e sem abrir mão de tudo que acredita para que o sistema não tire sua vida?”. Segundo a artista, “muito do sentido de arte da guerra é isso, nascer destinado a ser soldado e morrer sendo soldado, porque muitas vezes o sistema não dá essa oportunidade da gente conseguir crescer ou sair dessa condição que já recebe desde o nascimento”, conclui.


Maria Eduarda Marques

Natural de João Monlevade (MG), é graduanda do curso de Jornalismo pela Universidade Federal de Ouro Preto, com interesse em pautas culturais e fotojornalismo. Atuou como estagiária da Agência Primaz entre março e agosto de 2025.