“Não posso anular em uma canetada”, diz prefeito sobre contrato com Saneouro

Durante a 1ª reunião da Mesa de Diálogo, que estuda os meios de transição da Saneouro para uma autarquia municipal, o prefeito de Ouro Preto, Ângelo Oswaldo (PV) argumentou sobre o percurso da cidade até chegar à situação atual de saneamento. De acordo com o prefeito, a retirada da Saneouro não foi uma “promessa de campanha”, mas sim um “compromisso” com a população. Com a entrega do Relatório Final do Grupo de Trabalho, a remunicipalização do serviço de água e esgoto foi posta como melhor alternativa para o município.

Atualizado em 25/11/2022 às 11:11, por Isabela Vilela.

Vereadores se encontram nesta manhã (25) para dialogar com empresa

Atual prefeito culpa gestões anteriores pela situação do saneamento no município - Foto: Isabela Vilela / Agência Primaz

Apesar do fim do Serviço Municipal de Água e Esgoto (SEMAE), Angelo apontou os “culpados” pelo sucateamento e extinção da autarquia. Segundo o prefeito, no início das operações, a partir de 2005, o SEMAE “funcionava razoavelmente bem“. Durante a gestão do ex-prefeito José Leandro (PSC), segundo Oswaldo, a autarquia passou por uma tentativa de privatização, “mas como ele não conseguia maioria na Câmara ele refluiu, ele voltou atrás, ele não privatizou“, completou.

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Angelo acusou outros adversários em períodos eleitorais anteriores de implantar “pessoas fantasiadas com uniformes da Copasa na rua” para intimidar a população. O opositor político, que o próprio prefeito admite ser Júlio Pimenta (MDB), ainda teria prometido que não colocaria a Copasa no município, já que a população encarava como altas as tarifas da companhia estadual. “’Não vou pôr a Copasa’, mas pôs a Saneouro“, exclamou o prefeito. “Mais ou menos na calada da noite ele privatizou o SEMAE”, continuou o prefeito sobre a gestão de Pimenta.

Apesar dos problemas apontados pela própria CPI e pelo Processo Administrativo em andamento, Oswaldo diz não poder fazer a extinção do contrato de forma imprudente. É preciso objetividade e segurança jurídica para processo de extinção do contrato, “não posso anular em uma canetada não”, completa o líder do executivo.

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Para isso, a Prefeitura diz estar ouvindo secretários, especialistas, juristas e movimentos em busca da consolidação da remunicipalização do serviço de água e esgoto. Segundo ele, “a água na torneira é um produto industrial que tem um custo”, e por isso, a universalização da fatura é o mais justo, em união com a aplicação da Tarifa Social. Citando casos de sucesso de autarquias municipais, como Itabirito, Angelo argumenta que a continuidade administrativa é essencial para a consolidação de um serviço público de qualidade.

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Principais movimentos sociais não comparecem à reunião

Apesar de convite feito pelo executivo, entidades não comparecem a reunião - Foto: Isabela Vilela / Agência Primaz

Apesar da presença de representantes das repúblicas federais e privadas, moradores da Ocupação Chico Rei e moradores, os secretários comentaram sobre a ausência da FAMOP na Mesa de Diálogo desta quarta. O movimento social que orquestrou as principais manifestações do “Fora Saneouro”, representa 74 associações de moradores em Ouro Preto, mas não compareceu à reunião.

Em nota, a Federação explicou sua ausência, dizendo não concordar com um diálogo de portas fechadas para a população. A princípio, foram convidados para compor a Mesa apenas membros do executivo, legislativo e sociedade civil organizada, mas a reunião acabou sendo realizada de forma aberta ao público.

A FAMOP ressaltou as iniciativas tomadas por ela para retirada da concessionária, como diálogos com vereadores e uso da Tribuna Livre na Câmara. A organização ainda afirmou que o GT foi construído após o apelo feito por eles:“Inclusive tal grupo[GT]foi criado e nomeado quase um ano depois da sugestão da Federação”, diz a nota.

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O comunicado ainda acusa o governo municipal de uma “inércia proposital“, e que “nenhuma ação efetiva foi tomada pelo Poder Público para a anulação do contrato com a Saneouro“. Por fim, a nota esclarece que a FAMOP continuará nas ruas na luta pela remunicipalização.

Outras entidades que lutam pela qualidade do serviço, como o Comitê Sanitário de Defesa Social e a Patrulha da Água, também não estavam presentes. Sobre a intensificação das manifestações no mês de outubro, o prefeito se pronunciou, dizendo que “não é com tumulto que vamos chegar a lugar nenhum“.

Na 76ª reunião ordinária da Câmara, desta quinta-feira (24), o vereador Vantuir (PSDB) argumentou que as manifestações populares não surtem efeitos, uma vez que apenas uma parcela mínima da população adere aos atos.

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Vereadores têm encontro com a Saneouro

Reunião convocada pela empresa gera divergências entre parlamentares e protestos da população ouro-pretana- Foto: Isabela Vilela / Agência Primaz

Na manhã desta sexta-feira (25), vereadores e assessores jurídicos da Prefeitura se reúnem com representantes da Saneouro para dialogar sobre a questão do saneamento do município. De acordo com a Câmara, o convite partiu da própria concessionária. Em Plenário, o presidente Luiz Gonzaga convidou membros da FAMOP para participar da reunião.

Parlamentares reclamaram que a reunião estaria sendo feita“às escondidas“, já que, a princípio, o encontro não aconteceria em Plenário e sim em um restaurante no distrito de Cachoeira do Campo. Segundo os vereadores, convites feitos para que a Saneouro utilizasse à Tribuna Livre estão em aberto há meses. Após os pedidos feitos durante a 76ª reunião ordinária, a Saneouro aceitou que a conversa fosse realizada na Casa Legislativa.

Entre os convites feitos anteriormente, uma indicação do vereador Kuruzu (PT), datada de 08 de junho de 2022, pediu o comparecimento do Superintendente da Saneouro, Evaristo Benini, para prestar esclarecimentos sobre a execução do consórcio formado entre a empresa e a prefeitura.

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Kuruzu afirmou que o encontro é“um tiro no próprio pé” da Câmara, e justificou sua ausência. Segundo o parlamentar, ele seria“um traidor do povo de Ouro Preto”se participasse da reunião.

Já Vantuir afirmou que trilhar um diálogo com a Saneouro é o “caminho mais sensato”para resolver as questões tarifárias. Para Matheus Pacheco (PV), presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) de 2021,“só consertar tarifa não pode ser a solução do problema“.


Isabela Vilela

Jun - Out/2021