3ª edição da FLIMARI potencializa a literatura marianense

A Feira Literária de Mariana, com o tema Era Uma Vez…, conta com programação itinerante nas escolas da cidade

Atualizado em 19/09/2025 às 10:09, por Ana Beatriz Justino.

Danilo Gomes autografa livros de alunos do CEMPA - Foto: Ana Beatriz Justino/Agência Primaz

A programação do dia da abertura da FLIMARI ainda contou com as contadoras de história Beatriz Myrrha e Rosana Mont’Alverne e uma sessão de autógrafos do homenageado no livro Augusto Frederico Schmidt, Juscelino Kubitschek e Odilon Behrens. Na parte da tarde os homenageados tiveram a oportunidade de discursar em agradecimento.

Discurso do homenageado Danilo Gomes

Danilo Gomes recebeu sua homenagem no período da manhã. Em seu discurso agradeceu às suas professoras, em especial a Hebe Rola, e lembrou-se da Mariana de antigamente, já que tem muito orgulho de ter nascido na cidade. Para ele, as crianças devem ler “livros de papel” e, depois, confidenciou à repórter que os livros digitais não têm graça.

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O escritor, que atualmente reside em Brasília, se sentiu honrado com a homenagem.“Sinceramente,[estou]muito satisfeito, muito emocionado com isso. Não esperava uma homenagem dessa. Mas recebo como um marianense de outros tempos, né? Que sempre que posso eu estou aqui”, afirmou, sem esconder a emoção.

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O escritor acompanhou a tarde de atrações, e se animou com a empolgação pela literatura demonstrada pelas crianças do Centro de Educação Municipal Padre Avelar (CEMPA), considerando que“isso vale a festa”. Durante seu discurso de agradecimento, destacou como as crianças representam o futuro do país e que “iniciativas como essa[Feira Literária de Mariana]direcionam vocês[estudantes]ao estudo constante”.

A jornada de Danilo com a literatura começou na infância, incentivado por sua mãe e sua tia que eram professoras. Na época, Mariana ainda não tinha biblioteca.“Eu mandava comprar livros pelo reembolso postal. Levava 15 dias, 20 dias para o livro chegar aqui”,relata o autor do livro “Augusto Frederico Schmidt, Juscelino Kubitschek e Odilon Behrens”. O autor tem muitos livros preferidos mas, para ele, o “As 1001 noites” é um livro muito importante para a literatura universal. “É uma da literatura árabe né? É um livro fantástico, não tem um autor, são vários ao longo dos séculos, as mil e uma noites. Uma obra sensacional”, afirmou.

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Carro Biblioteca da UFOP recebe homenagem

A iniciativa Carro Biblioteca da UFOP teve como representante Elton Ferreira de Mattos, coordenador do projeto. Durante o discurso o bibliotecário frisou que o projeto roda pela cidade de Ouro Preto há 15 anos levando literatura e cultura para bairros mais afastados do centro histórico. Durante o discurso, Elton declarou que a homenagem é um “tributo a força transformadora da educação”, superando as paredes da iniciativa e da universidade.

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Para o coordenador, a homenagem é importante, já que o projeto é, além de incentivador da leitura, uma forma de inclusão nas comunidades e aproxima a população da UFOP. “Nós temos alunos bolsistas da própria Região, dos Inconfidentes, alunos também de outras regiões, mas é a oportunidade que as comunidades têm de ter contato com os universitários e de, um dia, ter a possibilidade de também estar na UFOP”, comentou.

O representante iniciou no mundo da leitura com as revistinhas em quadrinhos, mas fez questão de frisar a importância da obra de Guimarães Rosa, “Grande Sertão Veredas”, que teve menção especial em seu discurso, “Mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende”, destacou o bibliotecário.

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A FLIMARI e o incentivo à leitura

A feira contou com a visitação de escolas da região e, para tornar o acesso mais democrático, a feira realiza um circuito nas escolas da cidade que não tiveram a possibilidade de visitar o espaço, incluindo escolas dos distritos. A organizadora do evento, Andreia Donadon Leal, relatou que as escolas vão receber, também, oficinas de pintura com tintas naturais, lançamentos de livros e rodas de conversas com o autor. As atividades não param por aí, e a feira também terá um cortejo passando pela Praça Minas Gerais, Praça Gomes Freire (Jardim) e Rua Frei Durão.

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Para Andreia a FLIMARI é uma oportunidade das crianças saírem um pouco das telas. “Isso chama atenção, consome muito tempo das crianças e cada vez fica mais difícil do livro físico ocupar um lugar central. Quem dera se a gente pudesse ter tempo para escutar as histórias dos nossos avós, feito a gente que foi criado num ambiente repleto de leitura, né? De literatura oral”, afirmou a organizadora.

O estudante do terceiro ano do fundamental, Benício Júnior, presenciou as atividades da FLIMARI nessa quarta-feira (17) e contou que gosta de ler e que seu livro preferido é “De onde vem”. A experiência da feira para ele foi “legal”, disse que gostou muito dos discursos e, embora não saiba dizer o porquê, afirmou que considera a iniciativa importante.

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Benício ficou feliz por estar na 3ª edição da feira - Foto: Ana Beatriz Justino/Agência Primaz

Para a escritora Andreia Donadon Leal, a iniciativa vai muito além de introduzir as crianças no mundo da literatura, considerando que ela incentiva a cultura literária da cidade. “A gente tem que bater na tecla de forma intensa e mostrar a importância do livro, porque Mariana é uma cidade literária, só que a gente tem que movimentar esse universo livresco dentro da nossa cidade”, ressaltou.

Presença da literatura oral na FLIMARI

A história interpretada pela contadora Beatriz Myrrha durante o evento gerou uma alegria coletiva no auditório do Centro de Convenções. A história começou com a contadora interagindo com as crianças enquanto tocava um tambor de língua, seguindo depois para a frente da plateia e começando a contar a história da semente da primeira árvore do mundo, que cresceu por mil anos. A árvore é o Baobá e a história é uma adaptação de uma lenda tradicional africana, contida no livro “O céu do baobá”. Uma parte da contação falou da chuva que ajudou a semente a crescer e gerou gargalhadas e palmas da criançada.

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Para Beatriz Myrrha as crianças devem se aproximar da literatura, tanto de forma escrita, quanto de forma oral. “A literatura é um lugar de união. O livro, as histórias, elas promovem união. União da pessoa com ela mesma, união dela com o autor, com todas as pessoas fazedoras de livros, com o tempo daquela escrita, com os personagens dessa escrita”, afirmou a contadora de histórias.

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As histórias orais continuaram com a contadora Rosana Mont’Alverne, que interpretou a história do livro “Baús de troca”. Ao final das contações aconteceu um sorteio de livros para as crianças presentes, que contou com competição de adivinhação e a brincadeira do pomar brasileirinho para definir o vencedor.

O amor pela literatura

A FLIMARI é um espaço que vai além da literatura. É um lugar de encontros entre pessoas. O escritor Luciano Guimarães compareceu ao evento para entregar livros para Danilo Gomes e outros amigos do homenageado estiveram presentes para matar a saudade do companheiro.

O amor pela literatura estava presente em diferentes espaços. Durante o evento, houve a presença de monitores, responsáveis por auxiliar no funcionamento das atividades e prestarem informações junto às mesas de exposição de livros. As monitoras Maria Roberta e Patrícia são admiradoras dos livros e acreditam que a feira é uma possibilidade de levar a cultura da leitura para a população. “Porque hoje os meninos, o negócio é só ficar na tela. Esquecem que o mundo da leitura é uma coisa maravilhosa. Quando você pega um livro para ler, você se imagina na leitura”, afirmou Patrícia. Já Maria Roberta acredita na feira como um lugar de incentivo à leitura de obras marianenses e da cultura aldravista, movimento cultural criado em Mariana.


Ana Beatriz Justino

Graduanda em jornalismo pela Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop). Possui grande atração por gênero, cultura e politica. Atuou como estagiária da Agência Primaz entre outubro e dezembro de 2025.