320 anos da construção do órgão Arp Schnitger

O órgão Arp Schnitger, instalado na igreja da Sé, em Mariana, é um instrumento de grande importância, tanto pela sua antiguidade e comprovada autoria, quanto por ter sido objeto de um amplo trabalho de restauração. Entre os órgãos da manufatura Schnitger que sobreviveram até hoje, esse é um dos exemplares mais bem conservados e o único que se encontra fora da Europa. .

Atualizado em 20/01/2021 às 16:01, por Cristiano Casimiro dos Santos.

FacebookInstagram

Os textos publicados na seção “Colunistas” não refletem as posições da Agência Primaz de Comunicação, exceto quando indicados como “editoriais”

Construído em 1701, em Hamburgo (Alemanha), por Arp Schnitger (1648-1719), um dos maiores construtores de órgãos de todos os tempos, o órgão passou um período em Portugal e, tendo sido colocado à venda em 1747, foi adquirido das mãos do organeiro João da Cunha pelo Rei D. João V que pretendeu enviá-lo à Mariana, mas faleceu antes disso acontecer. Assim, seu filho D. José I fez do órgão um presente à recém-criada Diocese de Mariana que, já em 1748, mantinha em seus quadros, na Sé, um mestre de capela e um organista.

/apidata/imgcache/c4174d5a49d766513eaf1d561bbebd82.jpeg?banner=postmiddle&when=1770334718&who=345

O primeiro mestre de capela da catedral foi o padre Gregório dos Reis Melo, e o primeiro organista o padre Manuel da Costa Dantas. Em 1750, foram construídas as tribunas da Catedral, “se havia de assentar o órgão, para o que se havia de fazer uma varanda”, tendo o órgão soado nas cerimônias quase ininterruptamente, de 2 de julho de 1753 até 8 de dezembro de 1937.

O transporte do órgão de Portugal até o Rio de Janeiro ocorreu por navio e do Rio de Janeiro até Mariana em lombo de animais, havendo relatos bem exatos das condições de chegada:“…um órgão grande com sua caixa e talhas pertencentes a ele, que chegou em 18 caixões numerados, com as advertências precisas para se armar e também em 10 embrulhos grandes e pequenos numerados…”.

/apidata/imgcache/b1c0541e4e2744f43b5953b21e86eaba.jpeg?banner=postmiddle&when=1770334718&who=345

Desde sua instalação, em 1753, o órgão Arp Schnitger foi o centro de uma intensa atividade musical na Sé de Mariana, cuja memória escrita é o acervo de partituras do Museu da Música, que abriga obras de compositores do período colonial. São compositores de várias cidades do Estado e do país. Após muitos anos de funcionamento ininterrupto, nos quais por algumas vezes recebeu algumas modificações visando adaptá-lo ao gosto vigente na época, por volta da década de 30 o órgão da Sé parou de funcionar. Somente na década de 70, após pesquisas sobre a sua procedência e do reconhecimento de sua importância para o acervo de instrumentos musicais não só brasileiro, mas também mundial, foi feito um esforço concentrado para a restauração do instrumento.

Foram feitas várias restaurações no instrumento: na década de 1970 o organista alemão Karl Richter esteve em Mariana a convite do Arcebispo D. Oscar de Oliveira e do então presidente da CEMIG, Dr. Francisco Afonso Noronha para fazer uma avaliação do instrumento que continha, no interior de sua caixa, um grande número de peças originais preservadas e considerou esse instrumento um órgão muito importante, saído provavelmente da manufatura de Arp Schnitger.

/apidata/imgcache/152af5fc9ed45eead4ac63b9b27253fe.jpeg?banner=postmiddle&when=1770334718&who=345

Entre 1980-1984, quando, pela primeira vez, o órgão da catedral foi restaurado pela firma Beckerath Orgelbau, em Hamburgo, os tubos originais foram reparados e alguns tubos que faltavam foram substituídos por novos. Além disso, foram substituídos os antigos manuais (teclados) por novos exemplares, foi anexado um novo banco para o(a) organista e instalada, pela primeira vez, uma pedaleira. Todo o material removido foi cuidadosamente guardado e reenviado a Mariana.

/apidata/imgcache/e42b196283e1ed0aa69afd8449b2b4b7.jpeg?banner=postmiddle&when=1770334718&who=345

Entre 2000-2002 foi realizada a segunda restauração do órgão Arp Schnitger, desta vez pela firma Edskes Orgelbau, que reconstituiu o tamanho original dos tubos e a afinação do século XVIII. Durante essa restauração (parte na Suíça e parte em Mariana), foram realizadas outras intervenções técnicas, como a troca daqueles poucos tubos de madeira do século XIX por novos tubos de metal, o retorno dos manuais originais do século XVIII (removidos entre 1980-1984), a troca do banco e da pedaleira por exemplares construídos segundo modelos do século XVIII, bem como a substituição dos tubos instalados pela Beckerath, por tubos mais próximos dos originais. Todo o material inserido pela Beckerath e removido pela Edskes também foi cuidadosamente guardado.

Finalmente em 2010, a partir de um projeto da organista Elisa Freixo, com financiamento da Prefeitura de Mariana e Conselho Municipal do Patrimônio Cultural (COMPAT), o luthier Abel Vargas reuniu as peças retiradas pelas firmas Beckerath e Edskes, que estavam encaixotadas desde 2002, e construiu o órgão do Museu da Música de Mariana, acrescentando apenas o fole, o motor, a caixa externa, mais alguns tubos e algumas outras peças para dar unidade ao instrumento. O órgão do Museu da Música é, portanto, um órgão reciclado! Hoje este instrumento está sendo usado no Santuário de Nossa Senhora do Carmo para aulas e apresentações.

A Sé de Mariana em breve estará aberta e o magnífico órgão poderá ser apreciado pela beleza e pelo som.

(*) Cristiano Casimiro dos Santos é editor da Revista Mariana Histórica e Cultural

/apidata/imgcache/9d1cc4d87f3e18600bcfc01eed619e3a.jpeg?banner=postmiddle&when=1770334718&who=345

FacebookInstagramEnvelopeWhatsapp
  • redacao@agenciaprimaz.com.br
  • anuncio@agenciaprimaz.com.br

Rua Dom Viçoso, 232 – Centro – Mariana/MG

/apidata/imgcache/29dbe2d859113a8d297f76f1275030e8.png?banner=postmiddle&when=1770334718&who=345

Criado peloMarcelo, do Trato


Cristiano Casimiro dos Santos

Cristiano Casimiro dos Santos é editor da Revista Mariana Histórica e Cultural